Carga pesada 

26 de abril de 2008

Além de fixar a imagem de grande conciliador, Aécio Neves (PSDB) tinha dois objetivos imediatos ao se aliar ao prefeito Fernando Pimentel (PT) para eleger Márcio Lacerda (PSB) em Belo Horizonte: pairar acima da disputa local, pois seu secretário e candidato faria campanha escorado na máquina municipal, e esvaziar o PT em Minas, uma vez que a força do partido está concentrada sobretudo na capital.
Abortada a aliança pela direção nacional petista, o governador terá agora que carregar seu poste sozinho e eventualmente contra um candidato do PT -a despeito da disposição de Pimentel para reagir, poucos acreditam que, se o veto ao acordo não for revisto, o partido deixará de lançar um nome na cidade.


Combinado. Com uma semana de antecedência, Ricardo Berzoini avisou ao PSB que o PT vetaria a aliança de BH. O comando petista diz ter ouvido do trio Roberto Amaral, Renato Casagrande e Márcio França que a sigla ficaria com o PT, e não com Aécio.

Fora do script. A cúpula do PSB só não esperava a reação indignada da seção estadual do partido. Ontem, no Rio, os mineiros divulgaram nota dizendo ser “insuficiente” o apoio apenas do PT e insistindo em ter Aécio na aliança. Dirigentes nacionais e estaduais tentarão desfazer o nó na terça-feira em Brasília.

Ninguém viu. Com a artilharia verbal correndo solta em BH, só uma pessoa não deu um pio sobre o veto: o próprio candidato do “consenso”, Márcio Lacerda.

Infiltrado. � grave a crise. Na reunião entre o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e seu neoaliado Orestes Quércia (PMDB) ontem, um discreto alckmista, do diretório zonal do PSDB do bairro de Indianópolis, observava atento os passos dos futuros adversários na sucessão paulistana.

Favor. O DEM de Gilberto Kassab, que incentiva a candidatura de Soninha à Prefeitura de São Paulo a fim de tirar alguns votos dos petistas, cedeu sua vaga na Comissão da Criança e do Adolescente da Câmara Municipal à vereadora. Ela havia perdido a cadeira ao trocar o PT pelo PPS.

Papel à toa. Sem poder para reverter a escalação dos dois principais sub-relatores da CPI mista dos Cartões, Índio da Costa (DEM-RJ) e Carlos Sampaio (PSDB-SP), o relator da comissão, Luiz Sérgio (PT-RJ), não vai incorporar o trabalho de ambos.

Sem holofote. Na semana que vem também não deve haver reuniões da CPI. A presidente, Marisa Serrano (PSDB-MS), quer evitar bate-boca sobre a escalação dos sub-relatores. Os governistas se queixam: sem TV, a comissão, já fria, ficará gelada.

Limite 1. Na quarta-feira, segundo dia de consultas a documentos do TCU sobre gastos da Presidência, integrantes da CPI foram recebidos com suco e biscoito. Mas o acesso aos dados, livre na véspera, passou a ser controlado.

Limite 2. Diante de solicitações como listas de locadoras contratadas pela Presidência e de todos os ecônomos autorizados a fazer saques, auditores disseram que só poderiam responder mediante requerimento formal.

Chapéu alheio. No discurso ontem em Campinas, Lula disse que São Paulo recebeu R$ 8 bi do PAC. Há descompasso com os números do Palácio dos Bandeirantes. Dos 7,3 bi previstos, apenas R$ 2 bi virão do governo federal. O restante sairá dos cofres do Estado e de municípios.

Visita à Folha. Luiz Roberto Barradas Barata, secretário da Saúde do Estado de São Paulo, visitou ontem a Folha. Estava acompanhado de Giovanni Guido Cerri, professor titular de Radiologia da USP, e de Vanderlei França, assessor de comunicação.

Tiroteio

Tanta preocupação com o leite desnatado do Zé Dirceu mostra bem a completa desconexão dos oposicionistas com a realidade.

Do líder do PT na Câmara, MAURÍCIO RANDS (PE), sobre o alarde feito pelo deputado Índio da Costa (DEM-RJ), da CPI dos Cartões, diante do fato de que o petista, quando ministro, consumia leite desnatado.


Contraponto

Prontuário Anos atrás, durante sua marcha anual a Brasília, vários prefeitos decidiram “abraçar” o Congresso Nacional como forma de cobrar dos parlamentares a votação de projetos de interesse dos municípios. Em razão do calor intenso, o prefeito de Assunção do Piauí passou mal e desmaiou durante a manifestação. Foi imediatamente levado ao serviço médico da Câmara pelos colegas. Depois de reanimá-lo, o plantonista começou a preencher a ficha:
-O senhor é hipertenso?
-Não, sou Zezinho Bastião, prefeito de Assunção do Piauí-, respondeu o paciente, ainda atordoado.
A turma que o acompanhava caiu na gargalhada.

 



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