Setor público contrata 270 mil servidores em 2010

12 de maio de 2011

A contratação de 270,4 mil servidores em diferentes esferas do setor público no ano passado elevou para 2,861 milhões o saldo das admissões em 2010. O resultado recorde é superior aos 2,555 milhões de postos apresentados em janeiro no Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).

 

 

O novo número sobre o desempenho do mercado de trabalho consta da edição de 2010 da Relação Anual de Informações Sociais (Rais). Esse relatório unifica as informações sobre emprego e desemprego, abrangendo trabalhadores celetistas e estatutários. E, também, ajustes nas estatísticas, como a inserção de contratações e demissões registradas fora do período legal. O Caged, apresentado mensalmente pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), reúne apenas os dados sobre os empregados na iniciativa privada.

 

 

Ao apresentar o desempenho de 2010, o ministro do Trabalho, Carlos Lupi, reafirmou a estimativa de criação de 3 milhões de empregos formais no país neste ano. A projeção leva em conta a expectativa de maior número de contratações no setor público neste ano em comparação ao ano passado.

 

 

Os 270,4 mil servidores convocados no ano anterior representaram um número menor que os 343 mil contratados em 2009, devido a restrições para a realização de concursos e convocações impostas pela legislação eleitoral. Como este não é um ano eleitoral, a expectativa de Lupi é que o número total das oportunidades no mercado de trabalho brasileiro atinja 3 milhões, influenciada pelas admissões em número maior nas diferentes esferas de governo. "Neste ano haverá maior contratação de servidores", previu.

 

 

A Rais 2010 mostra que o mercado de trabalho é formado por 44 milhões de empregados com carteira assinada. A maioria continua sendo composta por homens, embora a evolução nas admissões evidencie progressiva ampliação da presença feminina. Em 2010, o sexo feminino representou 41,6% do total da força de trabalho, percentual superior ao 41,4% em 2009.

 

 

Considerando o grau de instrução, a Rais indica que o país está próximo de erradicar o analfabetismo no mercado de trabalho. No ano passado, o contingente de assalariados que não sabem ler e escrever representou 0,56% do total. E 43% dos trabalhadores possuem ensino médio completo.

 

 

O relatório também atestou 2010 como mais um ano de ganhos reais para a classe trabalhadora. O rendimento médio passou de R$ 1.698,35 em 2009 para R$ 1.742, com alta real deflacionada pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) de 2,57%. Entre 2003 e 2010, o acréscimo foi de 21,29%.

 

 

O recorde de empregos no ano passado refletiu a recuperação econômica dos setores produtivos depois da retração verificada em 2008 e 2009. Dos oito segmentos pesquisados, em sete houve expansão.

 

 

A maior variação ocorreu na construção civil, que ampliou em 17,5% o número das admissões, totalizando 377 mil contratações. O comércio ampliou as admissões em 9%, com saldo de 689 mil postos. Na sequência figura o setor de serviços que, com o acréscimo de 8,4% em relação ao ano anterior, assinou a carteira de 1,1 milhão de pessoas, também em termos líquidos.

 

 

A indústria da transformação e a indústria extrativa mineral reforçaram as contratações em 7,13% e 1,14%, respectivamente. A agricultura foi o único setor com demissões líquidas. A explicação é que a crescente mecanização das lavouras tem aumentado o desemprego no campo.



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