Dilma pede foco nas fronteiras

8 de agosto de 2011

A presidente Dilma Rousseff reuniu-se ontem com o novo ministro da Defesa, Celso Amorim, e determinou prioridade ao Plano Estratégico de Fronteiras e trabalho estreito com o vice-presidente Michel Temer e com o titular da Justiça, José Eduardo Cardozo. A palavra de ordem da presidente é "continuidade". Ela está preocupada com traumas na mudança, já que alguns militares receberam com insatisfação a nomeação de Amorim.

 

 

Dilma informou a Amorim que os comandantes das três Forças — Juniti Saito (Aeronáutica), Enzo Peri (Exército) e Júlio Moura Neto (Marinha) —, assim como o chefe do Estado-Maior Conjunto, José Carlos de Nardi, continuarão nos postos. O almoço no Palácio da Alvorada foi o primeiro encontro da presidente com o ministro empossado na Defesa. Depois da reunião com Dilma, o ex-chanceler esteve com os quatro militares no Palácio do Planalto, numa reunião que durou 1h45.

 

 

O novo ministro garantiu que não promoverá rupturas. "Não vou reinventar a roda. Vou trabalhar para implementar as ações e diretrizes constantes da Estratégia Nacional de Defesa", afirmou após se encontrar com os chefes das Forças. O governo não quer retrocesso nas discussões sobre a Comissão da Verdade e a Lei de Acesso à Informação, em tramitação no Congresso. A ordem é que a posição do Ministério da Defesa não mude com a chegada de Amorim.

 

 

Cada um dos militares fez uma exposição das ações mais importantes e como está a situação orçamentária das Forças. Amorim considerou a reunião produtiva e estabeleceu uma pré-agenda para conhecer as organizações militares espalhadas pelo país. Nos próximos dias, Amorim terá debates separados com cada uma das Forças.

 

 

A presidente também pediu que José Genoino, assessor-especial do Ministério da Defesa, trabalhe para evitar que os principais projetos sofram atrasos por conta de o novo titular ainda não estar familiarizado com os detalhes das ações. Genoino, que deve continuar no cargo, reúne-se amanhã com o ministro.

 

 

Infraestrutura

 

O plano de fronteiras é elaborado em conjunto com a Vice-Presidência e com o Ministério da Justiça. O vice Michel Temer trabalha para a viabilização da proposta de levar infraestrutura estatal aos municípios fronteiriços do país, como postos da Receita Federal, da Polícia Federal, além de bancos estatais — Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil. Pela ideia, o governo também daria benefícios financeiros — uma possibilidade seria por meio do programa Bolsa Família — para as pessoas que já vivem nessas regiões.

 

 

O vice Michel Temer vem tendo papel cada vez mais atuante na Defesa. A proposta de levar instituições do Estado para a fronteira foi gerida dentro do seu gabinete. O nome do vice foi um dos primeiros a serem sondados pela presidente para substituir Jobim, mas Temer acabou rejeitando a ideia. Mesmo assim, Dilma quer o vice totalmente integrado às questões militares para ajudar na concretização das diretrizes da Estratégia Nacional de Defesa. Outra proposta sendo debatida dentro do Ministério da Defesa é a de estímulo a empresas de defesa, entre elas a recuperação da Avibras, fabricante do sistema Astros de lançamento de foguetes, que está em recuperação judicial. As mulheres dos militares farão protestos hoje, durante a troca da bandeira, contra a defasagem salarial das Forças.



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