Agente de Polícia Federal fala sobre uso da ciência na investigação criminal

23 de novembro de 2017

O policial federal e mestre em Física, Bruno Requião, finalizou a programação do 1º Congresso de Jornalismo e Segurança Pública e fez um apelo para que a ciência seja incorporada nas investigações criminais. “Nós não podemos mais ficar dependendo só de ideias abstratas ou de hipóteses, precisamos levar a sério a ciência e a sua aplicação, não só na investigação criminal, mas no gerenciamento do enfrentamento ao crime no brasil”, disse.

Requião também ressaltou que o evento permitiu debates fundamentais com a imprensa para subsidiar a reestruturação do modelo de segurança pública. “Se nós não conseguirmos nos comunicar com a imprensa e mostrar as nossas propostas, consequentemente elas não chegarão aos gestores e à população. Então manter uma sinergia com estes comunicadores resulta em um ganho coletivo”.

Física, matemática e algoritmos no combate ao crime organizado

Em seu doutorado, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul – (UFRGS), Requião desenvolveu um estudo que relaciona a Física, a Matemática e os algoritmos no combate ao crime organizado.

A tese defende que, nas investigações, o mais eficiente é focar em pessoas que fazem a conexão entre grandes grupos, chamados “laços fracos”. Matematicamente, o estudo prova que a distribuição estatística dos relacionamentos entre os participantes de uma organização social pode determinar a sua força ou fragilidade”, explica.

Na Lava Jato, por exemplo, tudo começou com a prisão de doleiros e não de grandes líderes políticos ou empresários. “Os pontos de comunicação na verdade são as colas que unem pessoas que não aparecem tanto, mas que são os que fazem com que as organizações criminosas se fortaleçam do ponto de vista matemático”, garante o doutorando.

Bruno afirma ainda que esse tipo de conclusão deveria entrar no nível gerencial como uma proposta de combate ao crime e passar a ser usado não apenas pela Polícia Federal, mas por todos os órgãos que atuam na segurança pública.

Agência Fenapef



Outras notícias