Após encontro com Maia, Segovia diz que policiais não podem ‘perder direitos’ na reforma da Previdência

28 de novembro de 2017

O diretor-geral da Polícia Federal, Fernando Segóvia, disse nesta terça-feira (28) que policiais “não podem perder direitos” na reforma da Previdência. Na opinião dele, seria “péssimo” se isso acontecesse.

Segovia participou de um café da manhã para tratar da reforma, organizado pelo presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que tem sido um dos principais articuladores políticos na tentativa de viabilizar a votação do texto.

Além do diretor-geral da PF, Maia recebeu na residência oficial da Câmara deputados da base aliada e economistas de uma consultoria.

Por se tratar de uma emenda à Constituição, o governo precisa dos votos de 308 dos 513 deputados para aprovar a reforma, número considerado até por governistas como ainda distante. O governo fez uma versão mais enxuta do texto para buscar mais apoio.

Ao sair do encontro, Segovia disse a jornalistas que conversou com Maia sobre as regras previdenciárias para policiais. Segundo ele, a categoria não pode “perder direitos”.

No início da tramitação da reforma, no primeiro semestre, a idade minínima para policiais era 65 anos, mas o relator na Câmara, deputado Arthur Maia (PPS-BA), mudou o limite para 60 anos após protestos de entidades ligadas à categoria. Por fim, diminuiu para 55, na versão mais enxuta.

A idade mínima é um dos pontos que Segovia disse que discutiu com os parlamentares.

“Estamos negociando qual será a regra para os policias, porque a gente não pode perder os direitos que hoje existem dentro desse regramento. Estamos trabalhando. Há no Congresso essa proposta de 55 anos para o policial. Então, a gente está negociando hoje com o Congresso Nacional qual vai ser a regra para o policial no Brasil”, afirmou Segovia depois do encontro.

Segundo o diretor da PF, os policiais “sofrem bastante” ao longo da carreira. Ele citou ainda que a polícias, no momento por que passa o país, exercem papel fundamental no combate à corrupção e em ações de segurança pública.

“Hoje estamos discutindo diante da proposta do Congresso Nacional quais seriam os anseios da categoria dos policiais no Brasil, especialmente da Polícia Federal. A gente está lutando pelo nosso direito, a aposentadoria. O policial ao longo da carreira sofre bastante, a gente vê os policiais mortos no combate, a dificuldade da segurança pública no país. Então, perder direitos neste momento seria péssimo para o policial, que hoje enfrenta a corrupção, enfrenta diversos problemas no país”, afirmou Segovia.

O diretor-geral disse também que defendeu a “integralidade”, que é o policial se aposentar com o mesmo salário da ativa, possibilidade que a reforma não prevê para os servidores que ingressaram na carreira depois de 2013.

De acordo com Segovia, será preciso encontrar um “ponto de equilíbrio entre a necessidade, o direito do policial, como também ajudar o governo brasileiro nesta situação do país”.

“A gente sabe que toda população vai ter de ajudar nessa reforma da Previdência”, afirmou.

Líder do governo

No Senado, o líder do governo, senador Romero Jucá (PMDB-RR), defendeu, em entrevista a jornalistas, que a Câmara vote a reforma da Previdência ainda neste ano. Ele disse ainda que o Senado deveria votar o tema no começo de 2018.

Para Jucá, quanto maior a proximidade da análise do tema com as eleições, marcadas para outubro do ano que vem, maior a dificuldade para a aprovação do projeto.

“Se votar neste ano na Câmara, já será o ano que vem para o Senado. Se deixar [a votação] para o ano que vem na Câmara, ficará mais distante ainda a votação no Senado. E quanto mais perto da eleição, mais dificuldade que se tem para aprovar uma matéria como essa”, afirmou Jucá.

A reforma da Previdência, por mudar as regras para a aposentadoria, é considerada pelos políticos uma proposta “impopular” e, em 2018, vários parlamentares vão concorrer a mandatos eletivos.

Ao ser questionado sobre se há votos na Câmara para aprovar a reforma, Jucá disse que não se “arrisca” a fazer cálculos de votos de deputados. Com relação ao Senado, onde o peemedebista costuma fazer previsões de placares de votação, Jucá afirmou que há votos suficientes para aprovar o projeto.

Fonte: G1



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