“É preciso investir mais em prevenção qualificada”, afirma policial federal especialista em segurança pública

20 de setembro de 2018

O brasiliense Pehkx Jones é hoje especialista em segurança pública e acredita que boas oportunidades são estratégia para reprimir o crime

Motivação é a palavra de ordem na vida de Pehkx Jones Gomes da Silveira. O policial federal brasiliense aposentado há dois anos sempre soube a carreira que queria seguir. Aos 15 anos, enquanto ouvia atentamente um amigo da família contar sobre as histórias da Academia, Pehkx já almejava ser policial. “Tudo sempre conspirou a favor”, brinca.

Em 1993, depois de alguns anos sem concurso dentro da Polícia Federal, ele foi aprovado no último certame para policial com ensino médio. Começou lotado no Barra do Garças, município de Mato Grosso, onde atuou, por um ano e meio, na fronteira entre o estado mato-grossense e Goiás. “Lá, a gente fazia de tudo. Tivemos que aprender na prática mesmo, eu era um escrivão metido a agente”, lembra, aos risos. Aliás, outra recordação que Pehkx traz é a de ter feito a prova prática ainda com máquina de escrever.

“Junto com minha turma, introduzi os primeiros computadores no Barra do Garças. Lutamos também por melhores condições de trabalho. Atuávamos em uma casa caindo aos pedaços e batalhamos por um local mais justo e digno para os colegas”, conta. “A gente revolucionou a forma de atuação lá. Sempre fizemos uma movimentação no sentido de tornar o trabalho uma coisa mais motivadora, partindo sempre do espírito de cooperação.”

Esse espírito sempre fez parte de Pehkx. Trabalhando desde muito jovem – o primeiro emprego “fichado” foi aos 15 –, ele reconhece que a carreira policial não é fácil. “É um trabalho muito árduo, por isso é preciso motivação e autoestima para buscar um ambiente cada vez mais aprazível. Apesar da crescente violência, temos que lutar, todos os dias, pela nossa saúde física e mental”, afirma.

Ao voltar para Brasília, resolveu estudar e, em 2003, formou-se em Direito. A partir daí, não parou mais. O advogado e especialista em segurança pública e defesa social assumiu cargos importantes e estratégicos dentro do setor. Dentro da PF, foi chefe de Recursos Humanos da Superintendência do DF, atuou nas missões especiais do Espírito Santo e do Rio de Janeiro (em 2011 e 2013, respectivamente), foi adido adjunto da Polícia Federal em Washington-DC (EUA) e trabalhou no gabinete da Direção-Geral da PF, dentro do Escritório de Gestão de Projetos Estratégicos.

“Tive o privilégio de trabalhar com pessoas que reconheciam o trabalho enquanto policial e a vontade de fazer a diferença. Antes, só delegados podiam ser gestores, mas nós mitigamos esse preconceito. Isso mostra que o cargo não nos limita, ele abre oportunidades de fazer algo melhor do que já fazemos. Precisamos ir além para fazer a diferença”, assegura.

Currículo extenso

Antes de assumir o cargo atual de assessor especial do secretário de Segurança Pública e da Paz Social do DF, foi chefe de gabinete dessa mesma Secretaria, além de subsecretário de Educação, Valorização e Prevenção na Secretaria de Estado de Segurança do Estado do Rio de Janeiro (2015-2017). Entre julho de 2013 e agosto de 2014, foi assessor especial do secretário de Segurança do Rio de Janeiro, depois superintendente de Prevenção, entre agosto de 2014 e janeiro de 2015.

Atuou como gerente de projeto na Secretaria Nacional de Segurança Pública junto ao Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), entre 2005 e 2008, apoiando a formulação do projeto de Segurança e Prevenção da Secretaria Nacional de Segurança Pública do Ministério da Justiça (Senasp/MJ), no âmbito dos Jogos Pan-Americanos (RJ). Também fez parte da Coordenação Geral de Inteligência da Senasp/MJ.

O extenso currículo de Pehkx deu a ele subsídio para atuar, com propriedade, na área de gestão e de segurança pública. Como assessor especial na Secretaria de Segurança Pública e da Paz Social do DF, está também à frente da Cooperação Técnica Internacional com o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento em Segurança Cidadã, além de ser titular do Conselho Distrital de Segurança Pública em Brasília (DF).

O gestor público acredita que prevenção e oportunidade são instrumentos poderosos para melhorar a vida e a segurança da população. “Antigamente, enquanto policial, trabalhava com aquela sensação de sempre estar enxugando gelo. Acredito que um bom trabalho preventivo, uma repressão qualificada, oportunidades e ressocialização são boas estratégias”, enumera. Ao trabalhar nos jogos Pan-Americanos, no Rio de Janeiro, Pehkx teve a chance de lidar com jovens carentes. “Precisamos dar oportunidade para eles fazerem boas escolhas. É isso, precisamos dar oportunidade.”

Segurança pública

Especialista da área, Pehkx defende que a segurança pública receba mais investimentos – e mais atenção por parte de todos. “Aprendi com os profissionais com quem tive chance de trabalhar que o setor deve ser tratado como um eterno paciente, que sempre precisa de cuidados e de remédios. Entre esses remédios, estão a prevenção e ressocialização. Os crimes não vão acabar, mas é preciso que se pense em medidas que minimizem essa crise e que dê mais segurança a todos”, diz.

Para ele, o setor teve alguns retrocessos e avanços nos últimos 30 anos, como o Sistema Único de Segurança Pública (Susp), criado em junho deste ano. “Nós não temos uma política nacional efetiva para tratar do tema. O que tivemos foram planos de governo que nos deram um direcionamento para chegarmos até aqui, mas olha quanto tempo demorou para que implantássemos o Susp”, observa.

Porém, Pehkx segue confiante e acredita que o setor ainda tem chance de sair da crise. “A perspectiva que tenho é de que o Brasil ainda precisa avançar muito. Os estados devem estar alinhados com a União dentro de uma política nacional para que os esforços humanos possam ser otimizados em benefício da sociedade como um todo”, conclui.

Comunicação Fenapef



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