Estado de greve é aprovado por unanimidade pelos policiais federais de todo país

5 de abril de 2017

A manhã desta quarta-feira (5) foi intensa nas superintendências da Polícia Federal do país. Os servidores do órgão, de todos os cargos da carreira policial, aprovaram, por unanimidade, estado de greve caso o governo insista em aprovar o relatório da PEC 287, da reforma da Previdência. O texto é considerado pela categoria desfavorável aos profissionais de segurança pública ao manter a retirada da atividade de risco e alterar o tempo de serviço, que hoje é de 30 anos para homem e 25 anos para mulher, além de prejudicar aposentados e pensionistas.

Sob protesto realizado em todos os estados, os policiais argumentam que a proposta como está inviabiliza a aposentadoria dos policiais federais, que exercem atividade de alto risco e têm expectativa de vida inferior aos demais brasileiros.

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Boudens, antecipou que na ocasião da leitura do relatório, que está previsto para o dia 18 de abril, os policiais farão um ato simbólico de entrega de armas e coletes. Para que as ações discutidas pela Polícia Federal tenham efeito junto aos parlamentares, Boudens destacou a importância da união de todos os cargos da PF. “O governo está encontrando dificuldades para aprovar o texto em primeiro turno, junto aos congressistas. É hora de nos unirmos, esquecermos as diferenças e qualquer outra pauta divergente”, afirmou.

Desde que a proposta da reforma da Previdência foi encaminhada pelo Executivo, a Fenapef vem realizando uma série de ações para evitar que a categoria perca direitos garantidos pela Constituição Federal. A federação também tem cumprido agenda intensa no Congresso, visitando gabinetes de deputados e senadores, entre eles o relator da comissão especial que analisa a PEC, deputado Arthur Maia.

Na avaliação do vice-presidente da Fenapef, Flávio Werneck, o relator tem adotado um discurso inconstante e antagônica. Apesar de se declarar sensível ao pleito dos policiais, o deputado já chegou a dizer em entrevistas e reuniões com assessores que não são todos os policiais que exercem atividade perigosa. “Essa variação no discurso gera desmobilização da categoria. Não podemos deixar isso acontecer, precisamos ter consciência de que se não lutarmos, nós, policiais, nossa família, nossos amigos, todos serão prejudicados”.

Presente no ato, o deputado Major Olimpo avaliou a atuação da Polícia Federal e das entidades representativas como positiva. O congressista acrescentou que o momento é decisivo para rejeição da PEC mas, para isso, é necessário pressionar o governo. “Temos números alarmantes sobre a quantidade de policiais mortos todos os anos e também altos índices de suicídio. Um dado que expõe a pressão e o terror vivido pelos profissionais que combatem o crime organizado no Brasil. Terem a atividade de risco da PEC e nós veremos esse país pegar fogo literalmente”, declarou.

Ficou decidido ainda que a União dos Policiais do Brasil (UPB) mobilizará os profissionais de segurança pública para uma paralisação geral no próximo dia 18, data prevista para leitura do relatório na comissão especial da Câmara dos Deputados.



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