“Estruturas de Estado precisam estar preparadas para prevenir e investigar crimes, como o jogo Baleia Azul”, afirma Boudens

16 de maio de 2017

O presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antônio Boudens, participou nesta terça-feira (16), de seminário na Câmara dos Deputados sobre o jogo “Baleia Azul”, que ganhou destaque após ser associado ao suicídio de crianças e adolescentes.

Boudens destacou em sua representação a importância de estruturar a Polícia Federal para atuar preventivamente contra crimes cometidos na rede mundial de computadores, a internet. Na avaliação do presidente, a Polícia Federal e os demais órgãos policiais do país, não estão preparados para investigar casos relacionados a crimes cibernéticos. “É preciso haver mudanças no sistema de investigação adotado pelo Brasil. Investigações como a desse jogo deveriam ser comandadas por policiais especialistas em sistemas da informação”, destacou.

Boudens também explicou como funciona o atual modelo de investigação na PF e citou a desvalorização dos profissionais com conhecimento em áreas especificas, como a computação.  “A Fenapef tem lutado contra a burocracia de investigação no Brasil, onde tudo é centralizado na figura do cargo do delegado que tem conhecimento eminentemente jurídico”.

A necessidade de adotar estratégias de valorização ao trabalho preventivo das polícias brasileiras também foi apontada pelo presidente da Fenapef como solução para evitar crimes na internet. “O trabalho preventivo é importantíssimo. Por isso, na Fenapef, estamos discutindo projetos que tratam do ciclo completo de polícia, com a finalidade de entrelaçar o trabalho investigativo com o trabalho preventivo, ao ponto de não se perder informações importantes na resolução dos crimes”, pontuou.

Suicídios na PF
Boudens aproveitou a ocasião para chamar atenção dos parlamentares sobre o alarmante número de suicídios na Polícia Federal. Para ele, o novo jogo virtual revela que as polícias não têm capacitação para combater crimes ligados às doenças psicossomáticas, inclusive quando essas atingem suas famílias e vidas de pessoais. “Somos uma das instituições que se propõe a evitar o suicídio nessas investigações, mas sem perder de vista o que acontece dentro da nossa própria instituição. Na polícia Federal, nos últimos seis anos, tivemos 29 mortes por suicídio. Como cuidar de uma questão que, institucionalmente, somos vítimas? Se de um lado nós estamos nos propondo a cuidar, nós também estamos pedindo ajuda”, alarmou.

O jogo surgiu, supostamente, em redes sociais russas e propõe desafios que induzem o jogador a passar por fases que envolvem, desde o isolamento social à automutilação. A comunicação é feita em comunidades fechadas e instiga os participantes a cumprirem as etapas propostas pelos criadores do jogo até tirarem suas próprias vidas.

A representante da Associação Brasileira de Estudos e Prevenção do Suicídio (ABEPS) e psicóloga, Fernanda Benquerer, que esteve presente na comissão, deu dicas para prevenção ao suicídio:
• Tratamento adequado dos transtornos mentais que levam ao suicídio;
• Restringir acesso a métodos potencialmente perigosos;
• Capacitar membros da sociedade para identificação e abordagem a pessoa em risco;
• Fortalecer fatores de proteção: vínculos sociais, habilidades de resolução de problemas, autoestima dos adolescentes, expressão emocional;
• Abrir espaço para conversar sobre o assunto sem julgamento;
• Ouvir atentamente;
• Demonstrar empatia;
• Respeito pelos valores e opiniões da pessoa;
• Não julgar, não doutrinar, não minimizar as queixas;
• Identificar serviços que possam como o Centro de Valorização da Vida, serviços de saúde mental e SAMU.

Participaram do debate também as psicólogas, Elisabete Comparini e Marisa Lobo; o diretor de relações institucionais do Google, Marcelo Lacerda; o diretor de relações institucionais do Facebook, Murillo Laranjeira; e o presidente do Comitê Gestor da Internet do Brasil, Demi Getschko.



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