Fenapef se posiciona contra suspensão da força-tarefa da Lava-Jato

7 de julho de 2017

As entidades sindicais envolvidas na Operação Lava-Jato foram discretas ao falar sobre um possível desmonte das investigações, mas, internamente, o assunto é motivo de discórdia e conflito. Segundo informações de interlocutores, as críticas causaram rebuliço por conta de “uma briga de egos entre os delegados de dentro e de fora da Lava-Jato”. Quem está dentro tem mais exposição à mídia, e quem está fora fica apagado e sobrecarregado.

Assim, a mudança foi uma tentativa de botar o pé no freio e distribuir os 15 minutos de fama para todos. Não importa se a Lava-Jato vai ficar pesada, seguir um caminho mais burocrático e, consequentemente, decepcionar a opinião pública que aplaudia as rápidas e eficientes soluções. Na Lava-Jato burocratizada, em vez de um relatório ser imediatamente entregue ao Ministério Público Federal, passará por diversas mãos e instâncias decisórias.

Embora, oficialmente, a PF não tenha tocado no assunto, foi, dizem as fontes, o diretor-geral Leandro Daiello que iniciou as tratativas. Elas começaram em Curitiba, entre o delegado Igor Romário, coordenador da Lava-Jato, e o superintendente local, Rosalvo Ferreira Franco. Daiello abençoou as mudanças pelo interesse de sair bem para gozar sua aposentadoria. Blindou a Lava-Jato, que deixou de ser uma operação especial e entrou no cronograma da corporação, vai indicar seu sucessor e fugir de toda a pendenga política.

Mas ele não vai vestir o pijama. Daiello já teria, inclusive, negociado a ampliação das adidâncias — os adidos da PF estão em 17 países. A previsão é de que fiquem em pelo menos 20. Uma delas, a de Paris, receberá seu amigo e assessor Leonardo Lima –, que não retornou às ligações para confirmar a possível transferência. E o próprio Daiello já estaria em negociações para, tão logo saia do cargo, se candidatar pela Rede a senador pelo Rio Grande do Sul.

A Associação Nacional dos Delegados (ADPF) não falou sobre o assunto. A Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), que representa agentes, escrivães e papiloscopistas da PF, informou que recebeu com preocupação a notícia de mudanças na estrutura de trabalho da Lava-Jato. “O formato de força-tarefa permitia contato da PF com o Ministério Público e com o Judiciário de forma permanente, célere e exclusiva, empregando eficiência nas investigações”, destacou.

Ao se desestruturar a força-tarefa, a Lava-Jato passará a seguir o rito normal de um inquérito policial comum, com “trâmites excessivamente burocráticos nas investigações policiais, além de dividir recursos financeiros e de efetivo policial com outras investigações”, destacou a federação.

Fonte: Correio Braziliense | O Dia | Gazeta do Povo 



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