O delegado Luiz Fernando Corrêa vai entrar para história da Polícia Federal como o diretor-geral que assumiu o cargo com apoio da maioria dos servidores e irá sair com mais de 80% de rejeição. Mas engana-se quem vê o índice de rejeição do delegado Luiz Fernando apenas como resultado de sua administração. Os mais de 80% de rejeição são também o sintoma de uma polícia com servidores desmotivados e sem a devida valorização de suas funções dentro do órgão...
Historicamente, os Escrivães DE Polícia Federal sempre estiveram atrelados a uma autoridade policial. Historicamente, quando o EPF sai de férias, licença, viaja em missão, de duas uma: ou os inquéritos sob a carga daquele servidor permanecem parados (fato menos comum) ou outro escrivão é designado para acumular aquela carga (fato mais comum), o que é humanamente impossível cumprir a contento. Historicamente, quando um EPF se afasta, por qualquer motivo, quando do seu retorno, percebe que as “torres gêmeas” não caíram e, sim, foram transportadas para a sua mesa...
A revista Época desta semana ainda repercute o plebiscito que reprovou a gestão do atual diretor geral da Polícia Federal. Em nota, a revista registra a esmagadora rejeição ao DG.A publicação destaca que em 22 estados do país os servidores disseram não ao diretor.
A Vigilância Sanitária apresentou laudo reiterando várias determinações anteriores não cumpridas pelo DPF para que as instalações tivessem condições mínimas de funcionamento. “O corpo de bombeiros, depois de realizar inspeção informou que caso a custódia não seja totalmente reformada ou fechada pode haver interdição de todo o prédio da Delegacia”, revela a delegada sindical Bibiana Orsi...
O teor das considerações expressas neste espaço são de inteira e exclusiva responsabilidade dos respectivos signatários, inclusive no caso de ações judiciais. Portanto, as opiniões aqui expressas não tem qualquer vínculo com a FENAPEF.
18/06/2009
Por: *Severino Melo
Não é novidade que fazemos parte de um país cheio de discriminação. A Carta Constitucional de 1988, registrou em seu artigo 144 os órgãos partícipes da Segurança Pública. “A Segurança Pública, dever do Estado, Direito e responsabilidade de todos, é exercida para a preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, através dos seguintes órgãos: Polícia Federal; Polícia Rodoviária Federal; Polícia Ferroviária Federal; Policias Civis; Polícias Militares e Corpos de Bombeiros Militares”.
Todavia, o legislador constitucional não moveu uma palha na tentativa de tratar os iguais com igualdade. Há disparidade salarial em todos os cargos policiais existentes no Brasil. Talvez a maior semelhança em paridade salarial de órgãos policiais brasileiros esteja entre a Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal ambas no âmbito do Ministério da Justiça e para ingresso nas quais, exige-se diploma de nível superior.
Daí para baixo é tudo desencontro, discrepância e a socialização pela miséria. Quanto mais pobre o Estado Membro da federação mais diminuto é o salário de seus policiais. Esta semana eu li no site da FENAPEF ( Federação Nacional dos Servidores da Polícia Federal), que estão querendo unificar os salários de todas as polícias existentes no Brasil. Pois é como, isonomicamente, deveria ser. E exsurge uma pergunta difícil de calar: Qual será o padrão a ser adotado?
É sabido que a lei complementar nº 51/85, recepcionada pela Constituição de 1988, é afeta a todos policiais civis brasileiros e ainda que cada Estado da federação, por seus prepostos, afirme pagar o máximo que pode, aos seus homens e mulheres de polícia.
Provavelmente não será numa só “canetada” que vão resolver este crasso problema social que se arrasta há décadas. Mas, é de bom alvitre que, paulatinamente, diminua-se a diferença de salário entre aqueles que têm atividades típicas de Estado.
Não existe polícia maior, nem polícia menor. Todas são iguais e importantes entre si. Que dentro de suas próprias competências, cada uma cumpra com o seu dever.
Enfim, evoquemos o poeta J.G. de Araújo Jorge: “Quando já não houver trabalhos dignos e indignos, porque todas as parcelas estarão na mesma soma. E o sábio e o operário, o artista e o camponês, seguirem paralelamente os seus caminhos; sem nunca se encontrarem mas sem humilhações”... Remunerem bem as polícias e comecem a cobrar o dever de cidadania de nossos policiais.
*Severino Melo – Bacharel em Direito, Escritor, Radialista, Agente Federal. Recifense Nato e Cidadão Honorário de Caruaru. Membro da Academia Caruaruense de Letras. correio eletrônico - smelo2006@gmail.com
Fonte: Agência Fenapef