O delegado Luiz Fernando Corrêa vai entrar para história da Polícia Federal como o diretor-geral que assumiu o cargo com apoio da maioria dos servidores e irá sair com mais de 80% de rejeição. Mas engana-se quem vê o índice de rejeição do delegado Luiz Fernando apenas como resultado de sua administração. Os mais de 80% de rejeição são também o sintoma de uma polícia com servidores desmotivados e sem a devida valorização de suas funções dentro do órgão...
Historicamente, os Escrivães DE Polícia Federal sempre estiveram atrelados a uma autoridade policial. Historicamente, quando o EPF sai de férias, licença, viaja em missão, de duas uma: ou os inquéritos sob a carga daquele servidor permanecem parados (fato menos comum) ou outro escrivão é designado para acumular aquela carga (fato mais comum), o que é humanamente impossível cumprir a contento. Historicamente, quando um EPF se afasta, por qualquer motivo, quando do seu retorno, percebe que as “torres gêmeas” não caíram e, sim, foram transportadas para a sua mesa...
A revista Época desta semana ainda repercute o plebiscito que reprovou a gestão do atual diretor geral da Polícia Federal. Em nota, a revista registra a esmagadora rejeição ao DG.A publicação destaca que em 22 estados do país os servidores disseram não ao diretor.
A Vigilância Sanitária apresentou laudo reiterando várias determinações anteriores não cumpridas pelo DPF para que as instalações tivessem condições mínimas de funcionamento. “O corpo de bombeiros, depois de realizar inspeção informou que caso a custódia não seja totalmente reformada ou fechada pode haver interdição de todo o prédio da Delegacia”, revela a delegada sindical Bibiana Orsi...
O teor das considerações expressas neste espaço são de inteira e exclusiva responsabilidade dos respectivos signatários, inclusive no caso de ações judiciais. Portanto, as opiniões aqui expressas não tem qualquer vínculo com a FENAPEF.
08/10/2009
Por: Carlos Ely
Massimo Pavarini, professor italiano da Universidade de Bolonha em entrevista a Folha de São Paulo ao descrever sobre questões vinculadas a penalização criminal sugeriu a leitura da obra “Nothing Works” {nada funciona} e ao referir-se sobre o aumento das penas na busca de segurança alfinetou: “É uma idéia louca, um pecado”.
O Mestre Pavarini sustenta também o fracasso das prisões, da ressocialização e um consenso entre os maiores criminólogos do mundo que o Direito Penal está na contramão da história.
Atribui o entrevistado a responsabilidade as políticas neoliberais e por suas ligações com ideologias de esquerda entende que a punição, por si só, é um obstáculo ao Estado de Direito social.
Reconheço que o “homem” é uma fera como cientista e pesquisador e reconheço também que quando o professor Massimo diz “Uma prisão de merda custa 250 euros / apenado / dia na Itália. Não faz sentido usar algo tão caro para qualquer criminoso”. É mesmo uma merda das grandes.
De minha parte leio e releio e tento conviver com a realidade e muitas vezes não chego a lugar algum.
Se prender o “bicho pega”, se soltar o “bicho come” ou quem sabe a gente une esforços comunitários em nome de sei lá que ideologia e idealizamos uma mirabolante campanha de uma máxima da Ciência Jurídica – Em caso de dúvida, pró réu -.
Se nada funciona alguma coisa um dia vai ter que funcionar.
Saudações criminológicas.
*Carlos Ely é secretário de segurança do cidadão de Itajaí/SC.
Fonte: Agência Fenapef