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Home » Notícias » PF em Ação » Sem ação judicial, Boi Barrica completa três anos

PF em Ação

09/03/2010


Lento, muito lento

Sem ação judicial, Boi Barrica completa três anos »



Três anos após ser deflagrada pela Polícia Federal (PF), a Operação Boi Barrica ainda não é motivo de nenhum processo judicial contra Fernando Sarney, filho do presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e investigado por suspeitas de tráfico de influência, formação de quadrilha, falsificação de documentos e crime contra o sistema financeiro nacional. No fim de semana, o jornal "Folha de S.Paulo" noticiou a movimentação de R$ 1 milhão em conta bancária na China por Fernando Sarney.

 

De acordo com informações do Ministério Público Federal no Maranhão, a operação gerou quatro inquéritos, que ainda estão em fase de diligências na PF. Os procuradores responsáveis pelo caso - Marcilio Nunes Medeiros, Thayná Freire de Oliveira e José Raimundo Leite Filho - ainda não ofereceram denúncia contra Fernando Sarney ou qualquer outro investigado. Até agora, o Ministério Público Federal apenas ingressou na Justiça com pedidos de medidas cautelares - como quebras de sigilo bancário e telefônico - e pediu novas diligências à PF. Após a conclusão das investigações pela PF o inquérito segue ao Ministério Público, que decidirá pelo oferecimento de uma denúncia à Justiça - que, por sua vez, pode ou não abrir um processo contra os investigados.

 

A Operação Boi Barrica, rebatizada de Faktor, foi deflagrada pela PF em abril de 2007 para investigar um saque em dinheiro vivo feito por Fernando Sarney e identificado pelo Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) durante as eleições de 2006, nas quais sua irmã, Roseana Sarney, concorria ao governo do Maranhão. A investigação da PF teve início ainda em 2006, quando o Coaf recebeu informações sobre saques em dinheiro vivo de cerca de R$ 3,5 milhões relacionados a empresas da família Sarney às vésperas da eleição: foram sacados R$ 2 milhões por Fernando nos dias 25 e 26 de outubro, R$ 1 milhão em cada dia. O segundo turno da eleição foi no dia 29 de outubro. Entre o fim de setembro e outubro de 2006, foram sacados mais de R$ 1 milhão da conta do Sistema Mirante de Comunicação, afiliada da Globo e principal empresa da família Sarney, da qual Fernando é um dos dirigentes. Os saques foram considerados suspeitos e informados ao Coaf, que remeteu as informações aos órgãos competentes - como a PF.

 

Passados três anos, a PF indiciou Fernando Sarney, em julho do ano passado, sob a acusação, entre outros crimes, de formação de quadrilha, tráfico de influência e falsificação de documentos, além de crime contra o sistema financeiro nacional, para favorecer empresas privadas em contratos com estatais. O filho de Sarney foi apontado como o mentor de uma quadrilha que praticava tráfico de influência no governo e em estatais para favorecer empresas privadas. Fernando foi ouvido pela PF em São Luís e negou as acusações.

 

Embora a Operação Boi Barrica tenha sido iniciada para investigar suspeitas de caixa dois na campanha eleitoral de Roseana Sarney ao governo do Maranhão, no decorrer das investigações foram levantados indícios de outros crimes - como tráfico de influência para favorecer empresas privadas em contratos com Eletrobrás, Eletronorte, Valec e Caixa Econômica Federal.

 

O único processo judicial gerado pela Boi Barrica até agora é uma ação interposta por Fernando Sarney para impedir que o jornal "O Estado de S. Paulo" noticiasse fatos relacionados à operação. Em 31 de julho do ano passado o Tribunal de Justiça do Distrito Federal (TJDF) concedeu uma liminar impondo a censura ao jornal. Fernando Sarney entrou com um pedido de desistência da ação em dezembro de 2009, mas o jornal optou por aguardar o julgamento de mérito do processo.

 

Fonte: Valor Econômico

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