Três dias de suspensão foi a pena disciplinar definida pelo superintendente da PF em Minas, delegado Fernando Durán Poch, contra o agente Josias Fernandes Alves, Diretor de Comunicação da Fenapef, por ter faltado ao serviço para participar de assembleia geral da entidade, em Brasília, em 2010.
A determinação do Tribunal de Contas da União é taxativa: a Polícia Federal tem até o fim deste ano para substituir os terceirizados que atuam no controle migratório nos aeroportos por servidores contratados por concurso público. Pelo artigo 144 da Constituição, a fiscalização aeroportuária é atribuição da PF, indelegável...
Você falha quando acha que está sempre seguro mesmo em sua própria casa ou realizando atividades rotineiras. Falha quando acredita que a violência só atinge as outras pessoas ou está restrita a certos lugares. Erra quando não aproveita a primeira oportunidade para reagir ou quando reage no momento errado.
"Os delegados querem isonomia com o Judiciário e o Ministério Público. Querem isso para depois pedirem aumento salarial. Sempre sonharam com isso", afirmou o presidente da Fenapef, Marcos Wink. Para ele, as formalidades do tratamento a delegados são um desserviço.
Por: João Xavier de Oliveira Filho
| Foto: SINPEF/RN |
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Em 1972, um avião com 45 pessoas, dentre as quais atletas chilenos de rúgbi, despencou na Cordilheira dos Andes. Sem comunicação durante semanas, os sobreviventes viram o fim de suas provisões e um deles sugeriu uma solução bizarra para que todos não morressem. Sugeriu que, para viver e contar a história, se alimentassem dos corpos congelados dos companheiros falecidos no desastre aéreo.
Houve reações veementes. “Isto é um atentado às vítimas, é canibalismo”, disse um outro sobrevivente. O autor da idéia, um médico, explicou: “Não, você está enganado. A carne dos companheiros mortos a eles de nada serve. Servirá para que nós possamos viver e reverenciar o exemplo de todos. Isso, na verdade, chama-se companheirismo”. Assim foi feito, e 16 passageiros sobreviveram. Uma história que já rendeu documentário, livros e análises sobre a busca pela sobrevivência.
Companheirismo, nos dias atuais, é a chave de tudo. Nos Andes, ou do Oiapoque ao Chuí. O trabalho em equipe é a soma de virtudes distintas em favor da melhor solução. Na Polícia Federal, então, esta lógica é fundamental para que servidores e público interajam e convivam num ambiente saudável, harmônico, de forma que a prestação do serviço à sociedade produza resultados eficazes.
O maior inimigo do serviço público é a burocracia, uma parente bem próxima da mediocridade. Todavia, na Polícia Federal, essa máxima teria de ser diferente. Outro adversário “respeitável” da administração pública é a desunião entre os colegas de trabalho. Ela é fruto da insegurança, da prepotência e do despreparo de alguns que chegam com pouca experiência e se servem da função como um troféu da arrogância, não como um prêmio ou uma estrada para servir a quem os procura.
Felizmente, os burocratas formam uma exceção perniciosa, exibicionista e injusta. São pessoas que tratam com desdém o contribuinte, sem saber que são eles, os contribuintes, que pagam os salários do funcionalismo público. Assim, atrasam processos por bel-prazer, elegem a dificuldade como barganha ou como atestado de competência que, com eles, nunca conviverão.
Os burocratas também se acham donos de setores ou, no caso policial, de delegacias e não compartilham conhecimento para usufruir da própria insegurança. Ainda boicotam o colega mais experiente em algumas atividades, como se ele, o colega experiente, não houvesse caminhado pela mesma estrada, precípua, criando dificuldade para vender facilidade.
Este é o pensamento de um policial que atua há 25 anos na área, dita operacional, “sem da luta os embates temer” e que, a exemplo de tantos outros, emprega o suor e sangue por uma instituição. A instituição é a extensão da casa e a razão de viver. Se preocupa, pois, com o andar da carruagem, com aqueles que nunca trabalharam nos fins de semana e que nunca estiveram nos mais distantes rincões da Amazônia.
Estes sequer em pesadelos ralaram nas estradas da Região Centro-Oeste, ou nas fronteiras da Região Sul, nunca necessitaram do apoio de outras instituições policiais. Em poucos anos, efetuarão prisões via e-mail. E mais: caso não tenham GPS, jamais realizariam uma intimação. Vêm de grandes historiadores o alento e o combustível da resistência: “Está nos construtores da história a base da sua perpetuação”.
Lupicínio Rodrigues, conhecido sambista brasileiro, é autor de versos que se entrelaçam e resumem situações que se encaixam no exemplo do Departamento de Polícia Federal. Em uma de suas canções, ele afirma: “Há pessoas com nervos de aço, sem sangue nas veias e sem coração, mas não sei, se passando o que passo, talvez não lhes venha, qualquer reação.” Outra complementa o sentimento: “Esses moços, pobres moços, ah, se soubessem o que eu sei, se eles julgam que há um lindo futuro, só o amor, nesta vida conduz”.
O burocrata é o atraso, não viveu o que aqueles, policiais experientes, passaram, doando suor, sangue, custeando suas próprias investigações e captando dados, além das longas noites de campanas, longe das famílias. Vive, o bastardo da burocracia, com ares de empáfia, dentro de ambientes refrigerados e escondido na redoma de setores, por trás de montanhas de papéis.
Consagra-se – ou não? - a frase do personagem Deus, de Ariano Suassuna, na peça teatral “O Auto da Compadecida”, quando pede a Nossa Senhora a absolvição de um filho de Jesus Cristo. “Mãe, o céu não pode ser uma repartição pública, que existe, mas não funciona.”
Mas, sem falsa modéstia, muitos ainda não passam de inquilinos. Aqueles que trabalham arduamente e de maneira gratificante assentam cada tijolo. Não serão esquecidos, porque nem a força destrói a história.
“Somos fortes na linha avançada”. A verdadeira Polícia Federal do povo brasileiro.
*João Xavier de Oliveira Filho é Bacharel em Direito pela UFRN e Agente Especial de Polícia Federal, lotado na SR/DPF/RN
Fonte: Agência Fenapef