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Home » Notícias » PF em Ação » Banrisul e agências de propaganda no alvo da PF

PF em Ação

03/09/2010


Rio Grande do Sul

Banrisul e agências de propaganda no alvo da PF »



30 dias das eleições, uma ação da Polícia Federal (PF) na manhã de ontem provocou constrangimento na cúpula do Banrisul, comoção no mercado publicitário e reação no meio político gaúcho. Um dirigente do banco e dois diretores de agências de propaganda foram presos em Porto Alegre por suposto envolvimento em desvios de recursos que teriam gerado prejuízo de cerca de R$ 10 milhões ao Banrisul.



A operação, denominada Mercari (comprar para vender, em latim), também sacudiu a cena eleitoral. O Banrisul é subordinado a uma candidata ao governo do Estado, a governadora Yeda Crusius, do PSDB, e, no período sob investigação o banco estava sob controle de uma pessoa indicada pelo PMDB, partido de outro candidato ao Piratini, José Fogaça. Os dois são adversários de Tarso Genro, ex-ministro da Justiça, que chefiava a PF até sete meses atrás e concorre ao Piratini, pelo PT.

A ação de ontem foi conduzida por 76 policiais federais, além de integrantes do Ministério Público Estadual e do Ministério Público de Contas. As investigações apontam que ações de marketing do Banrisul, contratadas junto a agências publicitárias, seriam superfaturadas via empresas terceirizadas. Os verdadeiros executores dos serviços receberiam quantias bem menores do que a verba desembolsada oficialmente pelo banco – e parte do dinheiro seria desviada, afirma a PF.

A investigação começou há 11 meses, quando uma testemunha-chave afirmou que dirigentes do banco receberiam propina para aceitar orçamentos publicitários superfaturados. Conforme o depoente, o serviço é aprovado com um valor, quando, na verdade, custaria muito menos.

– Um projeto que custaria em torno de R$ 350 mil foi faturado em R$ 546 mil – exemplificou a testemunha, protegida por policiais porque teria recebido ameaças.

Três prisões em flagrante

Os policiais prenderam em flagrante dois dirigentes de agências publicitárias: Armando D’Elia Neto, da DCS, e Gilson Storck, da SLM, além do superintendente de marketing do Banrisul, Walney Fehlberg. A justificativa da PF: eles guardavam, em suas casas, dinheiro sem origem identificada (o equivalente a cerca de R$ 3,4 milhões, em dólares, libras, reais e euros).

Manter dinheiro em casa não é crime, mas nenhum dos três soube (ou quis) explicar a origem de tamanha quantia não declarada. Parte do dinheiro apreendido na residência do superintendente do Banrisul estava envolvida em cintas de papel com a inscrição “Tesouraria DCS”.

Os publicitários foram presos por suspeita de lavagem de dinheiro, e o funcionário do Banrisul, por peculato (quando servidor público desvia valores em razão do cargo que exerce).

A PF diz que não é porque a eleição será dentro de um mês que a PF e outros órgãos deixarão de trabalhar.

Por que então a PF entrou no caso, se o banco é estadual? De acordo PF quando detectou indícios de crimes federais, como lavagem de dinheiro e evasão de divisas, o Ministério Público acionou a PF.

Ainda pela manhã, a governadora e candidata Yeda Crusius (PSDB) escreveu em seu Twitter: “PF no Banrisul. Muito estranho... É estadual. Já vi esse filme antes, roteiro do velho jeito”.

Outro candidato a governador, Pedro Ruas (PSOL) foi à sede da PF, acompanhado da deputada Luciana Genro (PSOL) e gravou as explicações dadas na entrevista para usar no programa eleitoral.

Tarso Genro (PT) adotou a prudência e disse que não vai comentar o episódio. José Fogaça (PMDB) também não se pronunciou.

A operação aconteceu ao amanhecer, com policiais cumprindo 11 mandados de busca e apreensão,  em residências de dirigentes de agências, do diretor do banco e de pessoas terceirizadas para o serviço, sendo dez mandados em Porto Alegre e um em Gravataí. Um dos diretores da SLM foi despertado por um telefonema, no qual o interlocutor disse ser da PF e assegurou que não era um trote. Aconselhou que a porta da agência, no centro da Capital, fosse aberta. O empresário concordou.

No bairro Moinhos de Vento, três viaturas da PF estacionaram diante do prédio da agência de publicidade DCS. Foram apreendidas 50 caixas de documentos.

Fonte: Agência Fenapef, Zero Hora e Comunicação Social DPF/RS

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