Três dias de suspensão foi a pena disciplinar definida pelo superintendente da PF em Minas, delegado Fernando Durán Poch, contra o agente Josias Fernandes Alves, Diretor de Comunicação da Fenapef, por ter faltado ao serviço para participar de assembleia geral da entidade, em Brasília, em 2010.
A determinação do Tribunal de Contas da União é taxativa: a Polícia Federal tem até o fim deste ano para substituir os terceirizados que atuam no controle migratório nos aeroportos por servidores contratados por concurso público. Pelo artigo 144 da Constituição, a fiscalização aeroportuária é atribuição da PF, indelegável...
Você falha quando acha que está sempre seguro mesmo em sua própria casa ou realizando atividades rotineiras. Falha quando acredita que a violência só atinge as outras pessoas ou está restrita a certos lugares. Erra quando não aproveita a primeira oportunidade para reagir ou quando reage no momento errado.
"Os delegados querem isonomia com o Judiciário e o Ministério Público. Querem isso para depois pedirem aumento salarial. Sempre sonharam com isso", afirmou o presidente da Fenapef, Marcos Wink. Para ele, as formalidades do tratamento a delegados são um desserviço.
Em meio a um emaranhado de fios em muros, postes, lojas e nas paredes de construções inacabadas, a propaganda política dentro da favela da Rocinha, Zona Sul do Rio, está por todos os lados. Placas, cartazes, comitês, cabos eleitorais e mototaxistas a serviço das campanhas tomaram conta da comunidade.
Com a morte do exvereador Luiz Carlos de Oliveira, o Claudinho da Academia, em junho, pelo menos 20 candidatos a deputado estadual e federal e ao Senado travam uma guerra em busca de votos na região, mesmo com a presença ostensiva de traficantes.
Está em jogo a preferência dos cerca de 32 mil eleitores aptos a irem às urnas em 3 de outubro, de acordo com o Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RJ). O número, porém, pode chegar a 50 mil, na estimativa da União Pró-Melhoramento dos Moradores da Rocinha. A favela tem 100.818 mil moradores, segundo o censo das favelas realizado pelo governo do estado, em 2008.
A diferença é que agora podemos fazer campanha, e os moradores podem declarar o voto. Antes, não podiam. Havia pânico. Todos ficavam com muito medo. Era uma coisa violenta diz Adelson Guedes (PMDB), candidato a deputado estadual e morador da Rocinha.
Ex-presidente da associação de moradores e também aspirante a um cargo na Assembleia Legislativa, William da Rocinha (PRB) é outro que pede votos nas ruas, becos e vielas. Recentemente, ele panfletou ao lado do candidato ao Senado Marcelo Crivella, do mesmo partido.
Fui criado na Rocinha. Não preciso de autorização de ninguém afirma ele, que tem comitê eleitoral na comunidade.
O herdeiro de Claudinho
Diferentemente de Adelson Guedes e William da Rocinha, o deputado estadual André Lazaroni (PMDB), que tenta a reeleição, é apontado como sucessor de Claudinho da Academia. O parlamentar tem o apoio de 60 líderes comunitários, a maioria ligada à União Pró-Melhoramento dos Moradores da Rocinha, segundo o presidente da entidade, Leonardo Rodrigues Lima.
Além de citar o ex-vereador no jingle da campanha, cabos eleitorais de Lazaroni panfletam usando camisas estampadas com a foto de Claudinho e a frase eterno amigo e vereador.
Não faço acordo com bandido. Assinei uma cartacompromisso com os moradores.
Como eu já o conhecia (Claudinho), eles decidiram me apoiar. Não nasci aqui, mas fui abraçado pela Rocinha diz o deputado.
Em janeiro, Claudinho foi denunciado pelo Ministério Público por uso de violência e ameaça para coagir eleitores na favela, onde obteve 73% dos 11.513 votos que o elegeram vereador. Segundo o MP, ele tinha o apoio do chefe do tráfico Antônio Francisco Lopes, o Nem, bandido mais procurado no estado.
Claudinho foi encontrado morto no banheiro de casa. As investigações descartaram a hipótese de assassinato. Em 2008, uma candidata a vereadora só conseguiu entrar na Rocinha para fazer campanha escoltada pela PM.
Pedimos voto para o André, sim. Só que qualquer candidato pode fazer campanha aqui. Não tem problema nenhum ressalta Leonardo.
Para panfletar dentro da comunidade, os candidatos, normalmente, procuram a associação, igrejas ou até mesmo moradores.
Na última quinta-feira, traficantes com fuzis circulavam pela favela. Na ocasião, o morador e candidato a deputado federal, Antônio Ferreira de Melo, o Xaolin da Rocinha, e André Lazaroni pediam votos. No mês passado, o governador Sérgio Cabral declarou à imprensa que não vai à favela por questões de segurança. A declaração foi dada após traficantes trocarem tiros com a polícia e invadirem um hotel em São Conrado.
Segundo a União Pró-Melhoramento, a lista de candidatos a deputado estadual que procuraram a Rocinha este ano tem ainda Juarez da Fisioterapia (PV), João Gustavo (PMDB), Altineu Côrtes (PR), Paulo Souto (DEM), Christino Áureo (PMN) e Georgette Vidor (PPS). A relação para federal conta com Alexandre Cardoso (PSB), Pedro Jorge (PCdoB), Fernando Lopes (PMDB), Julio Lopes (PP) e Washington Reis (PMDB), entre outros.
Por enquanto, recebemos apenas uma denúncia sobre a dificuldade de candidatos a deputado estadual de entrarem (na favela), com exceção de André Lazaroni. Mas nada foi confirmado.
Enviei o caso à Procuradoria Eleitoral diz Paulo Cesar Vieira Filho, chefe da fiscalização do TRE-RJ na capital.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva inaugurou, em março, um complexo esportivo como parte das obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Mesmo assim, problemas como coleta de lixo, abastecimento de água, esgoto a céu aberto e pavimentação atormentam a população.
A favela tem o maior número de casos de tuberculose do estado, com 300 pessoas com a doença para cada cem mil habitantes número superior à média de casos no país, aproximadamente 37,4 pessoas para cada 100 mil, segundo o Ministério da Saúde.
Vivemos aqui com muita dificuldade de ter as coisas básicas.
Não temos acesso a quase nada. Queremos que os políticos olhem mais para nós pede o morador Nonato Brito, de 39 anos.
O também morador José Martins de Oliveira, de 63 anos, concorda: Espero que as obras continuem.
Também precisamos de políticos mais comprometidos com a Rocinha.
Fonte: O Globo