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Assassinato de agente evidencia riscos envolvidos no trabalho de policiais



À frente de operações em linhas de investigações bastante perigosas, como narcotráfico e corrupção, os policiais federais também não têm escudos caso se tornem alvo de ameaças. Na terça-feira, o agente Wilton Tapajós, 54 anos, foi assassinado com dois tiros no Cemitério Campo da Esperança, no fim da Asa Sul. A motivação do crime é um mistério. Mas há suspeitas de que a morte tenha ocorrido em função ao trabalho da vítima. O policial era, por exemplo, um dos investigadores da Operação Monte Carlo, responsável pela prisão do bicheiro Carlinho Cachoeira.

 

De acordo com a Federação Nacional de Policiais Federais (Fenapef), não é comum haver intimidações aos homens da corporação. Mas quando isso ocorre, arranjos informais entre colegas e a prudência individual tecem uma rede frágil de cuidados. “Nós dependemos da proteção divina, é isso. Não existe nenhum programa que assegure a integridade policial dentro da instituição, reclama o diretor de Relações de Trabalho da Fenapef, Francisco Sabino.

 

Sabino explica que existe um projeto da federação que pretende incluir os servidores da PF no programa de proteção às testemunhas, executado pelos próprios agentes. “Isso já existe para os civis. O que custa incluir os próprios servidores? Estamos falando de vidas, independentemente da função da pessoa”, defende. ”Esse estresse natural da profissão, somado aos problemas do dia a dia, faz com que o policial adoeça mais cedo. Mais de 20% dos colegas da Superintendência toma remédio controlado em razão de alguma perseguição, ameaça, estresse ou problemas pessoais”, acrecenta Jones Borges, presidente do Sindicato dos Policiais Federais do DF (Sindipol/DF).

 

Exceção

 

Para a especialista em segurança pública da Universidade Católica de Brasília (UCB), Marcelle Figueira, o trabalho desempenhado por policiais os torna mais vulneráveis, mas não significa que estejam constantemente sob risco. “Eles são treinados e orientados para lidar com esse tipo de situação. É claro que os policiais estão mais expostos do que o cidadão comum, no entanto, a solidariedade que existe entre eles contribui para que eles saibam se defender”, explica.

 

Segundo ela, a avaliação de vulnerabilidade de um policial é diferente do que ocorreria na caso de um cidadão comum. “Não é toda ameaça que merece atenção da corporação porque é algo corriqueiro na profissão. Mas isso não quer dizer que quando um colega é ameaçado ele não deva receber proteção dos demais”, ressalva.   Para a especiliasta, é errado dizer que a polícia está fragilizada. “Casos como o do policial federal Tapajós são considerados uma excepcionalidade. Estáticas revelam que é muito raro um agente dessa corporação ser executado. Por esse motivo, intriga a opinião pública”, observa.

 

Marcola

 

“Só de relembrar o que passei me dá arrepio”. É uma frase que o policial civil inicia o relato sobre a pior ameaça que sofreu, durante o período em que trabalhou no Complexo Penitenciário da Papuda. Com 23 anos de carreira nas policias Militar e Civil do DF, ele lembra a intimidação que começou com o suborno oferecido por um dos criminosos mais perigosos do pais, Marcos Wilians Herbas Camacho, o Marcola. O homem apontado como líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) foi transferido  para o DF em 2001. “Eu era um dos únicos policiais que tinha contato com ele no período em que esteve aqui.”

 

Ele chegou a me oferecer R$ 5 milhoes para facilitar a figa e, claro, recusei. Em uma dessas tentativas de suborno, gravei a conversa e informei a direção do presídio, que passou a saber o que estava acontecendo,” diz. O agente saiu de licença por cinco dias e, ao retornar ao trabalho, notou que a situação era tensa na ala de Marcola. “Percebi que os presos estavam sérios. Percorri a primeira e segunda cela e verifiquei que estava tudo bem trancado. Resolvi recuar e foi quando jogaram colchoes no corredor e começaram a atear fogo. Na mesma hora, corri para acionar o alarme de alerta”, detalha.

 

O policial releva que ele e a família ficaram sob acompanhamento de escolta policial por cerca de três messes. “Tivemos que mudar várias vezes de casa. O meu maior medo era que meus filhos ficassem traumatizados com toda aquela situação”. Ele nào sai mais de casa sem arma. “Também tenho outra dentro de casa. Nos 23 anos de experiência na policia do DF, recebi inúmeras ameaças. Para nós, é algo normal. Só conseguimos mensurar a gravidade de determinadas intimações quando ocorrem tragédias como a do colega Wilton Tapajós. Casos como esse servem para lembrar aos policiais como estamos sujeitos a esse tipo de situação. Devemos estar sempre alertas e preparados porque ser policial é uma profissão de risco”, alerta.

 


Fonte: Correio Braziliense

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