Finalmente a Polícia Federal tem um novo Diretor-Geral

13 de novembro de 2017

Por Carlos Arouck

O delegado Fernando Segóvia será o novo diretor-geral da Polícia Federal, em substituição a Leandro Daiello, que ocupa o cargo desde janeiro de 2011. Indicado por Dilma, Daiello vem pedindo para sair há muito tempo, mas por pressão dos meios de comunicação e das redes sociais, sua saída foi postergada para evitar qualquer alegação de ameaça à continuidade da operação Lava Jato.

Por falar na Lava Jato, o que acontece com a nomeação de Segóvia como novo diretor? Nada, porque a polícia vai continuar combatendo a corrupção e outros crimes de sua atribuição, uma vez que a Lava Jato, no âmbito da PF, está em fase de finalização. Os trabalhos dos peritos federais continuam em andamentos, como análises documentais e outras solicitadas pela Justiça e os agentes continuam cumprindo requisições do juízo natural e do Ministério Público, como mandados de prisão e de busca e apreensão.

A substituição de Daiello, após de sete anos no cargo, não deve ser considerada surpresa, mas  uma necessidade para a Polícia Federal, que sempre foi e será feita por heróis anônimos. As movimentações internas constituem uma praxe normal entre os policiais.

Diversas mídias divulgaram que Segóvia contaria com o apoio de Sarney, por ter sido superintendente no Maranhão, e que teria também apoio do universo político. Essas são apenas especulações de quem escreve uma matéria, talvez na tentativa de “minar” um nome de consenso na polícia como um todo. Afinal, a Associação dos Delegados da Polícia Federal não conseguiu fechar um nome escolhido somente por sua categoria.

Em minha avaliação, o governo federal acertou na escolha de Fernando Segóvia, priorizando um diretor que pode investir na pacificação interna, já que o delegado tem um bom trâmite entre as diversas categorias que compõem os quadros da Polícia Federal, como peritos, papiloscopistas, escrivães e agentes.

Conta, inclusive neste momento, com suporte das associações de servidores. Formado em direito pela Universidade de Brasília tem pelo menos uma coisa em comum  com a Procuradora Geral da República , Raquel Dodge: a formação acadêmica.

O novo DG costuma apresentar uma postura independente nas questões “interna corporis”, enquanto Daiello era normalmente pautado pela associação de classe. Neste momento de conflito entre delegados e todas as categorias existentes no DPF, Segóvia é um bom nome, conhecido por tentar pacificar os setores por onde passou e é descrito como uma pessoa experiente e agregadora.

Se Segóvia vai ser um bom Diretor-Geral  e pacificar a Polícia Federal só o tempo dirá. Nós, policiais federais, torcemos para que o comandante consiga apaziguar as categorias.

Termino citando Fernando Tayrone “Só o tempo dirá o que não se tem resposta”.

*Carlos Arouck é agente de Polícia Federal, graduado em Direito e Administração de Empresas. Foi instrutor da Academia Nacional de Polícia.

**As opiniões expressas nos artigos de opinião reproduzidos neste site são de responsabilidade do autor e não representam, necessariamente, o posicionamento da Fenapef.



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