Integrantes da PF em Santos fazem protesto contra reforma da Previdência

6 de abril de 2017

Mobilização ocorreu em todo o País; presidente da Federação Nacional de Policiais Federais frisa que a vida média de policiais no Brasil é de 58 anos

Policiais federais de todo o país se mobilizaram nesta quarta-feira (5) para deliberar sobre Estado de alerta e Estado de greve em protesto à (PEC) 287/2016, que trata da reforma da Previdência Social e elimina a atividade de risco do texto constitucional. Os atos da categoria ocorreram em frente às superintendências da Polícia Federal, inclusive em São Paulo, e contou com a participação de integrantes de todos os cargos policiais federais: delegados, peritos, agentes, escrivães e papiloscopistas.

As entidades dos policiais federais compõem a União dos Policiais do Brasil (UPB) e fecharam questão quanto ao dispositivo da PEC que exclui da constituição o artigo que hoje classifica a atividade policial como de risco. Os policiais cairão na mesma tabela de tempo de contribuição e de idade mínima dos demais trabalhadores, fazendo com que deixem de gozar do direito à aposentadoria, segundo as entidades, porque muitos morrerão no exercício de seu ofício sem conseguirem se aposentar. Outra repercussão grave, ainda conforme as entidades, é que os que sobreviverem farão parte no futuro de um contingente envelhecido da polícia, sem condições adequadas para oferecer segurança à população.

“Ao longo de sua carreira, o policial tem o dever institucional de combater todas as modalidades de crimes e organizações criminosas, motivo pelo qual os policiais sofrem maior desgaste físico e psicológico que todos os demais trabalhadores e, segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), trata-se da profissão mais estressante do mundo”, afirma a Diretora da Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal em São Paulo, Tania Fernanda Prado Pereira.

“Em um país com os mais altos índices de mortalidade de policiais no mundo, sequer alcançados por países em guerra, é inadmissível ver o governo federal encaminhar uma proposta de reforma da Previdência onde não reconhece a profissão como ‘atividade de risco’, suprimindo a expressão do texto constitucional”, afirma o presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef), Luís Antonio Boudens. “A vida média dos policiais no Brasil é de 58 anos. Se a reforma da Previdência passar como está, vai ser impossível se aposentar como policial. O projeto implodirá a aposentadoria dos policiais federais”.



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