A Lava Jato corre perigo?

7 de julho de 2017

Por Carlos Arouck

A Lava Jato não é uma religião. Papai Noel não existe e a operação está em andamento nas mãos do juiz Sérgio Moro. A PF neste momento atua conforme os requerimentos do juiz federal. Vamos parar de usar a operação Lava Jato que tem feito seu trabalho brilhantemente como meio de barganha corporativa e política pra derrubar governos e sim vamos combater a corrupção. Só o STF pode acabar com a Lava Jato quando não julgar e condenar criminosos e/ou soltando os que estão em preventiva. Os agentes para essa coordenação aumentou para 70 policiais e tem mais 700 da superintendência do Paraná e mais de 15 mil espalhados pelo Brasil. Só em Brasília são mais de 3 mil que podem ser deslocados para qualquer lugar do Brasil.

A Lava Jato se incorporou de uma tal forma à vida dos brasileiros que não se passa um dia sem que alguma menção ao assunto seja feita. Todos querem colaborar para que o Brasil seja passado a limpo. Em meio a tantos escândalos, as pessoas se agarraram à operação para amenizar o desânimo que se abateu sobre todos. É a esperança dos indignados em dias melhores. Estamos vivendo uma época de transformação de valores, quando o “jeitinho brasileiro” deixa, aos poucos, de ser tolerado. A sociedade passa a pressionar por mudanças e quer que os exemplos venham dos seus representantes.

Fica clara a importância que a Lava Jato adquiriu na vida dos brasileiros. Daí todos estarem sempre atentos ao desenrolar de suas ações. Mas o que me chamou a atenção é toda hora eu ler na rede ou escutar alguém comentar que determinado fato poderá ameaçar a Lava Jato. Cidadãos preocupados e líderes de movimentos conclamam a população para ir às ruas em apoio ao Sérgio Moro após o anúncio de notícias que nada tem a ver com a operação. Por isso, resolvi escrever sobre o assunto. Não podemos continuar associando tudo o que acontece à continuidade e ao êxito da Lava Jato. É importante que se compreenda que a operação já tem seu curso próprio.

Houve ameaças aos juízes que decretaram as prisões de autoridades, ameaças de hackers de derrubar o sistema e roubar dados, ameaças de corte de orçamento, ameaças resultantes de trocas ministeriais… Mesmo com todos os problemas e as diversas mudanças de ministros da Justiça, ela continua firme e forte. Afinal, trata-se da maior investigação já ocorrida no Brasil de combate à corrupção, envolvendo políticos conhecidos, poderosas empreiteiras e diretores de estatais. Muitas licitações de obras foram fraudadas, como Angra 3, Linha 4 do Metrô do Rio, Estádio Mané Garrincha, Maracanã, Porto Maravilha, inclusive no exterior, caso da Refinaria de Pasadena. Já são diversas as fases da operação, todas com nomes bem sugestivos, como “Asfixia”, “Pixuleco”, “Resta Um”, “Juízo Final”, “Abismo”. As prisões e delações não páram.

Por isso, meu conselho para você que logo que lê as novidades nos grupos de Whatsapp ou no Facenook fica temeroso quanto ao futuro da Lava Jato: a operação corre riscos, mas não esses.

Somente duas instituições podem realmente acabar com o que foi feito até agora – o Supremo, caso opte por não punir os culpados, e a Procuradoria Geral da República, caso continue a difundir que qualquer ato oposto à sua vontade coloca em risco a luta contra a corrupção.

Termino com mais uma citação: “Leis são como teias de aranha: boas para capturar mosquitos, mas os insetos maiores rompem sua trama e escapam.”  SÓLON


[i] Carlos Henrique Arouck, Agente de Polícia Federal, é formado em Direito e Administração de Empresa com especialização em gerenciamento empresarial e cursos na área de chefia e liderança.

Arouck foi instrutor da Academia Nacional de Polícia, trabalhou com segurança de dignitários, esteve presente nos maiores eventos do País desde a ECO 92, participou de várias audiências, seminários e palestras sobre segurança pública. Foi adjunto na Embaixada da França. Hoje é consultor de cenários políticos e na área da segurança pública , mantém um blogue com perfil independente e é um dos fundadores do Movimento Brasil Futuro (MBF), que propõe uma reforma evolutiva do Estado entre outros.

 



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