Operação Valentina: Policiais federais desmontam esquema de fraudes bancárias

16 de Abril de 2017

Policiais federais desarticularam nesta semana um esquema de fraudes, que furtou pelo menos R$ 7,5 milhões de contas bancárias do Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e Itaú e fez mais de mil vítimas em todo o País. A “Operação Valentina”, deflagrada pela Polícia Federal (PF), prendeu 13 pessoas, a maior parte delas no Ceará, onde se concentrava a quadrilha e estavam os quatro líderes da organização criminosa; outro integrante foi detido no Estado de São Paulo.

Para o êxito da operação, foram escalados dois escrivães, especialistas em tecnologia da informação, que, por atuarem em crimes cibernéticos, têm relação constante com os departamentos de segurança dos bancos. Foi justamente, a partir de contato mantido com essa área do Banco do Brasil, que estavam monitorando IPs de Fortaleza, que pareciam ser de pessoas que estariam aplicando um golpe novo no mercado. O banco como a Caixa Econômica Federal haviam recebido reclamações de um grande volume de clientes, vítimas de golpes que desfalcaram suas contas bancárias. O monitoramento batia sempre no mesmo lugar, mas os bancos não conseguiram avançar nas apurações e pediram a ajuda da PF.

Os escrivães, um de Brasília e outros de Fortaleza, passaram mais de cinco meses na investigação na capital cearense, num sigiloso trabalho de interceptação, buscando o fio do novelo das fraudes. Profundos conhecedores de infraestruturas tecnológicas, engenharia de softwares e de sistemas integrados de segurança, os escrivães e mais uma força-tarefa integrada por outros policiais federais começaram a desvendar a intricada e avançada rede de informação construída por hackers para invadir contas bancárias e transferir grande volume de dinheiro. Como a fraude bancária precisa de vários integrantes, o rastreamento tinha que pegar toda a rede. Esse tipo de crime exige a participação de muita gente orquestrada, cada qual com uma tarefa específica. Foram precisas várias interceptações telefônicas para se chegar aos 13 integrantes. Foram sete mandados de prisões preventivas, seis de prisões temporárias, além de oito coercitivas e 25 buscas e apreensões.

A investigação consistiu no monitoramento físico dos suspeitos. Os policiais se hospedaram no condomínio Landscape, um dos mais luxuosos da Beira-Mar, em Fortaleza, onde moravam três integrantes da quadrilha. A rotina dos criminosos, a entrada e saída dos veículos, foi toda levantada. Os policiais frequentaram os locais dos integrantes da quadrilha. Para a identificação dos alvos, eles chegaram a frequentar várias baladas de Fortaleza.

Sem o domínio desse conhecimento, a PF jamais teria encontrado a “toca do coelho”. Pelo que foi apurado, o sistema de fraude dos hackers era muito sofisticado para que um leigo tivesse condições de decifrar os rastros digitais deixados pela quadrilha. “O profissional, que tem apenas conhecimento jurídico, poderia ficar semanas recebendo relatórios sobre o esquema que jamais entenderia o que estava acontecendo. Por isso, a importância de um trabalho com uma equipe multidisciplinar com conhecimento em várias áreas”, diz Flávio Werneck, também escrivão e vice-presidente da Fenapef.

A PF iniciou a investigação e identificou que uma só quadrilha, instalada no Ceará, era responsável pelo prejuízo financeiro de centenas de pessoas físicas e das instituições financeiras. Os escrivães e outros policiais federais descobriram que grupo criminoso tinha várias maneiras de realizar as fraudes bancárias, entre elas o golpe do SMS falso, dizendo que a vítima tem que acessar sua conta de forma rápida. Era enviado um link, desta vez por e-mail, para que a vítima realizasse um cadastro e, sem saber, entregasse dados pessoais à quadrilha, direcionando-a para uma página falsa.

O principal meio encontrado pelos bandidos era o serviço de internet banking, que dá acesso às contas bancárias por dispositivos móveis e computadores, com a ajuda de um funcionário de uma operadora de telefonia, que bloqueava o número de contato da vítima e habilitava esse número de contato no chip do fraudador. De posse desse número “clonado”, o fraudador acessava a conta bancária adquirido por meio de um software “malicioso”, que lhe dera acesso ao número de conta, agência, código da agência e senha de acesso do internet banking.

Os policiais federais obtiveram provas de que a quadrilha atuava desde o início de 2016. Foram mil pessoas lesadas, porque os ataques eram diários, de preferência em moradores de outros Estados para dissimular as ações criminosas e dificultar o rastreamento.

O líder e hacker do grupo era o responsável por disseminar os softwares “maliciosos” (malweres), principalmente através de SMS, para capturar os dados do aplicativo do internet banking das vítimas. E também cooptava pessoas para acessar as unidades de resposta das instituições financeiras, que é aquele sistema de telefonia que você liga e cai no ‘robozinho’, que só faz responder e dá um saldo daquela conta. Muitas dessas pessoas faziam as ligações para ver se a vítima tinha saldo e se valia a pena atacar aquela conta.

A PF ainda não localizou bens imóveis, mas identificou contas bancárias, além de seis veículos luxuosos, dentre os quais dois Porsches, que foram apreendidos. Na residência de dois suspeitos, também foram apreendidas duas armas de fogo. O líder do grupo criminoso tinha uma cadela da raça Golden Retriever, com a qual posava em fotos nas redes sociais, ostentando. O nome do animal, “Valentina”, batizou a operação da PF.

Agência Fenapef

Publicado em Yahoo Notícias:  Cadela de suspeito batiza operação da PF: Valentina



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