Palestrantes criticam modelo de Segurança Pública e negligência do Governo

23 de novembro de 2017
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O segundo dia do 1º Congresso de Jornalismo e Segurança Pública, realizado pela Federação Nacional dos Policiais Federais (Fenapef) e pelo Sindicato dos Policiais Federais do Distrito Federal (Sindipol/DF), ficou marcado pelas críticas ao atual modelo da polícia brasileira e à negligência do poder público com o setor.

O tenente-coronel da Polícia Militar de São Paulo, mestre em Ciências Policiais de Segurança e comentarista da Rede Globo, Diógenes Lucca, atribui parte do problema à burocracia associada ao inquérito policial.

“Não precisamos de grandes manobras políticas para melhorar a segurança pública. Ao adotar o Ciclo Completo de Polícia, diante de uma circunstância de menor potencial, por exemplo, o policial que faz a atividade preventiva e já conhece a região, poderia finalizar a investigação com mais precisão, dando uma resposta mais rápida aos cidadãos”, justificou.

Lucca também aproveitou sua fala para reforçar a necessidade de cobrar respostas do poder público. “Só resolveremos o problema, quando o Governo tratar a Segurança Pública como objetivo de Estado permanente. Enquanto isso não for feito, nada mudará”.

Segundo Diógenes Lucca, sua experiência na TV foi importante para que pudesse compreender o porquê de tantas notícias equivocadas sobre a atividade policial serem publicadas diariamente.

“Infelizmente, o que chega para a mídia são apenas dados alarmantes e histórias ruins. O motivo pelo qual o policial não conseguiu desempenhar o seu trabalho, na maioria das vezes, é omitido antes mesmo de chegar à redação. Então é compreensível que as pessoas se revoltem, e eventos como estes se fazem ainda mais necessários para mostrar a verdadeira história de quem se arrisca todos os dias para proteger a população, sem o auxílio necessário do Governo”, lamentou o tenente-coronel.

 

Crime organizado nas fronteiras
O policial federal e palestrante, Rodimilson Uchoa, deu continuidade à programação pela manhã e fez um alerta sobre o abandono das fronteiras brasileiras e a falta de investimento do Governo em uma área que deveria ser prioritária no combate ao crime organizado.

“O trabalho dos policiais federais na fronteira e dos demais servidores acaba se perdendo pela falta de investimentos, seja no suporte aos policiais ou em planos de inclusão social”.

De acordo com Uchoa, o Governo precisa pensar em políticas que considerem as dificuldades econômicas e sociais vividas pelos os países vizinhos, o que fomenta a criminalidade, além de melhores condições para os profissionais de segurança pública que atuam nesses locais, sem qualquer aporte de suas instituições.

“Este congresso é importante sobretudo para subsidiar a imprensa sobre o trabalho policial realizado nas fronteiras e suas dificuldades. Nós, policiais, queremos trabalhar, porém enquanto o sistema não funcionar, vamos continuar enxugando gelo”, finalizou o policial.

Agência Fenapef



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