Polícia Federal apura desvio de R$ 3 milhões do Fundo de Saúde de Aparecida de Goiânia

14 de novembro de 2017

Suspeitos devem ficar presos na Sede da Polícia Federal em Goiânia (Foto: Murillo Velasco/ G1)

A Polícia Federal prendeu nesta terça-feira (14) uma ex-diretora do Fundo Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia, na Região Metropolitana da capital, e o ex-marido dela. Segundo a investigação, eles desviaram R$ 3 milhões que tinham sido destinados ao órgão pelo Sistema Único de Saúde. Batizada de Operação Anaideia, a ação foi realizada em Goiás, São Paulo e Paraná.

A Secretaria Municipal de Saúde de Aparecida de Goiânia informou, em nota, que apoia a operação da Polícia Federal e destacou que o suposto desvio ocorreu na gestão anterior (leia a nota na íntegra ao fim do texto).

Cerca de 100 policiais participaram da operação. De acordo com o delegado, a ex-servidora está atualmente desempregada e mora em Jataí, onde foi presa temporariamente. Já o ex-marido dela foi localizado na casa dele, na capital. Os mandados têm validade de cinco dias podendo ser prorrogados.

Além dos dois mandados de prisão temporária, a operação tinha o objetivo cumprir mais 47 ordens judiciais, sendo 19 de condução coercitiva, quando a pessoa é levada para prestar depoimento, e 28 de busca e apreensão. As ações ocorreram em Goiânia, Goianira, Aparecida de Goiânia, Jataí, Rio Verde, São Paulo (SP), São José do Rio Preto (SP), Pinhais (PR) e Curitiba (PR).

Investigação

A investigação começou em meados do ano passado, após uma denúncia da Prefeitura de Aparecida de Goiânia. Na época, a funcionária também foi demitida.

De acordo com a Polícia Federal, a ex-servidora se utilizou da função que exercia para inserir dados falsos no sistema. Assim, ela desviou pagamentos para uma empresa de fechada, no nome do marido dela, em julho de 2015. Os repasses ocorreram em 10 pagamentos entre setembro de 2015 e março de 2016.

Rastrear o dinheiro

Conforme a investigação, após cometer os desvios, o casal repassou a verba para outras empresas de Goiás, São Paulo e Paraná. Com o objetivo de rastrear o dinheiro, os policiais cumpriram nesta manhã mandados de busca e apreensão e de condução coercitiva nestes estabelecimentos.

“Por enquanto, estes empresários não estão sendo acusados de nada. Consideramos que eles devem ter feito negócios legítimos. Mas vamos apurar se realmente foi vendido e quais produtos para a gente identificar outros bens que estão no nome do casal”, explicou o delegado.

A polícia identificou casas, lotes, veículos e uma fazenda em Serranópolis, no Mato Groso, no nome dos presos. De acordo com o delegado, o Poder Judiciário ordenou o sequestro destes bens para futuro ressarcimento aos cofres públicos.

A ex-servidora e o ex-marido dela devem responder por inserção de dados falsos em sistema de informação, peculato e associação criminosa. Caso sejam condenados, eles podem pegar até 12 anos de prisão por todos os crimes.

O que a prefeitura diz

A Secretaria Municipal de Saúde informou, em nota, que apoia a investigação.

“O fato em questão veio à tona depois de denúncia feita pela própria secretária de Saúde na gestão anterior à do prefeito Gustavo Mendanha. Assim como o anterior, o atual governo não compactua com má gestão ou qualquer tipo de desvio de recursos públicos e defende que, comprovada a culpa, quem praticou tais atos seja submetido ao rigor da lei.

A atual administração, também prezando pela transparência, publicidade e moralidade dos atos públicos, está à disposição para contribuir com a investigação e demais esclarecimentos.”

Fonte: G1



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