Policial federal capixaba desenvolve método para esclarecimento de crimes com armas de fogo

9 de outubro de 2018

Na hora do tiro, o projétil é disparado pelo cano da pistola. Mas uma parte da munição não vai muito longe. É possível ver câmera lenta: após o disparo, a cápsula, que é a parte que envolve o cartucho, é lançada para trás do cano e cai perto da arma. Na investigação de um crime, os peritos da polícia recolhem as cápsulas e levam para exames de balísticas na tentativa de identificar de qual arma partiu o disparo. Mas há mais de cinco anos, um policial federal do Espírito Santo, que também é formado em física, trabalha para mostrar que mesmo depois de um tiro disparado, essas cápsulas podem trazer pistas bem mais reveladoras: as impressões digitais.

Na hora do tiro, há um atrito da munição com o cano da arma e também um deslocamento de ar quente. Por isso, fica difícil revelar impressões digitais. Difícil, mas não impossível, diz o policial.

“Com práticas simples e relativamente baratas, que podem ser aplicadas em qualquer laboratório forense de qualquer polícia do nosso país, a gente consegue sim chegar a resultados”, afirma o policial federal papiloscopista Carlos Magno Girelle.

O método que ele desenvolveu segue esta sequência: primeiro, a cápsula vai para um aquecedor elétrico, onde fica exposta ao vapor da substância cianoacrilato, que é usada para fazer cola instantânea. O vapor em contato com o metal já começa a revelar a impressão. Depois, a cápsula é mergulhada em um reagente químico. Na próxima etapa, um spray joga um corante fluorescente. No contraste com a luz dá para ver melhor a impressão digital.

Todo esse o processo dura menos de duas horas. A impressão está revelada, mas o formato cilíndrico da cápsula gera reflexos que atrapalham a visualização.

Um equipamento, feito no laboratório da Polícia Federal, resolve isso. A medida que a cápsula é girada em uma engrenagem, ela é fotografada. Depois, as fotos são unidas e está formada uma imagem panorâmica da impressão digital.

O método foi utilizado durante um ano no Espírito Santo. Em mais de mil análises, apenas cinco revelaram a impressão. O problema, segundo o policial, é a forma como as cápsulas foram recolhidas nos locais dos crimes.

“Eu tenho certeza que se ao invés de coletar essas evidências e jogar dentro de uma sacola e balançar, que é o que acontece hoje, e a gente fizer de uma forma apropriada como a gente propõe na pesquisa, essa estatística tende sim a melhorar”, diz Girelle.

Ele acha que deveriam ser usadas pinças e as cápsulas deveriam ficar em embalagens, que também foram inventadas lá. Com esses cuidados desde o começo da investigação, é bem maior a chance de que na munição disparada seja encontrada a identificação do criminoso.

Fonte: G1 Jornal Nacional 



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